Seja bem vindo à "Tertúlia" da In-libris

Publicado por Paulo Ferreira em

 

 


Gostaría de criar aqui um espaço de conversa, de troca de ideias à moda das tardes de conversa em que tantas vezes participei na Livraria do meu Pai. Claro que a conversa tanto mais rica se torna quantas mais ideias a fizerem. Fica aqui o desafio criando um expaço livre, sem moderação, de troca e partilha de saberes e aprendizagens.

 

O conceito de Tertúlia apresentado pela Wikipédia:

A tertúlia é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se reúnem de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos.

Contudo, e como o jornalista português Belo Redondo disse, "a vida nacional gira à volta de uma chávena", numa referência inequívoca da importância das tertúlias em Portugal. As tertúlias foram "importadas" para Portugal de Paris, onde surgiram e se espalharam pelo mundo, associadas aos cafés. Cada café tinha uma, ou mais, tertúlias sobre temas diferentes. Paralelamente, os seus integrantes identificavam-se como pertencendo à tertúlia A ou B, numa clara divisão das águas entre correntes de pensamento diferentes.

Historicamente em Portugal o Chiado, dado o grande número de cafés aí existentes, assumiu a liderança em número de tertúlias; A Brasileira, o Nicola e outros receberam tertúlias com participantes tão influentes como Bocage, Alexandre Herculano, António Feliciano de Castilho, Almada Negreiros, Eduardo Viana, António Botto, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro ou Stuart Carvalhais entre outros. No Porto o Majestic, A Brasileira e o Guarany, eram os locais por excelência onde se reuniam intelectuais, artistas e políticos. Coimbra, Faro, na realidade qualquer cidade ou vila de Portugal, tinham nos seus cafés tertúlias, onde se discutia tanto a politica nacional ou internacional, o futebol ou o mais recente mexerico da terra.

Foram em torno destas tertúlias de café que a política e as artes portuguesas do século XIX e primeira metade do século XX se desenvolveram, pelo cruzar de opiniões, troca de ideias, apresentação e discussão de ideias e livros novos, etc. Com o advento do Estado Novo as tertúlias tornam-se o último reduto da discussão livre da censura, mas que com o tempo são cada vez mais espiadas pela PIDE. Um exemplo disto foi o Grupo do Café Gelo. Paralelamente, a melhoria das comunicações, nomeadamente com o advento da televisão, e o aparecimento de outros espaços, levaram ao desaparecimento gradual das tertúlias.

Fica, então o desafio para utilizarmos as novas tecnologias de comunicação para não deixarmos morrer estes espaços de conversa que tão importantes são para o desenvolvimento da inteligência e manutenção da liberdade.


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5 comentários

  • Merciiiii Mr. bessaddiiiii! voile0 ce super ouvarge, au chaud dans ma bibliothe8que!!! Encore un chef d oeuvre, on s y attendait!!! he2te de vous recroiser e0 nouveau en de9dicasse maestro!!!

    Pibes em
  • D un coup je suis content de pas eonrce avoir achete9 mon tome 6 (j ai de9couvert qu hier qu il e9tait sorti, pas faute d avoir demande9 de nombreuses fois e0 mes libraires si ils avaient des infos)J espe8re qu il ne sera pas trop complique9 e0 se procurer et j attends les infos avec impatience

    Rosita em
  • That’s an expert answer to an inseertting question

    Kassie em
  • Faltou referir a 1ª tertúlia portuguesa: a dos Vencidos da Vida, da Geração de 70, também conhecida pelos 11 do Bragança. A tertúlia deles foi a cópia da tertúlia dos Véncues de la Vie, de um, dos cafés de Paris..

    Jorge Golias em
  • Comecei a ler o artigo com o maior interesse, na esperança de ficar esclarecido sobre este lamentável assunto. Mas não consegui chegar ao fim. As letras brancas e minúsculas sobre fundo preto começaram a fazer-me doer os olhos ao fim de alguns minutos. Tive que copiar o texto e colar num doc…

    Passando por cima desse inconveniente, quero deixar aqui o meu aplauso pela vossa iniciativa.

    António Amorim em

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