SERÕES DAS SENHORAS

14807-L1
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SERÕES DAS SENHORAS.— 1905-1908. (42 números). 17x24 cm. E.

Colecção completa desta curiosa revista mensal, profusamente ilustrada, que constituiu o suplemento feminino de uma outra revista Serões, publicada mensalmente em Lisboa desde 1901 a 1911.

“(...) Serões, propriedade da Livraria Ferreira, foi uma revista que se caracterizou pela qualidade. Eclética, apresentava artigos de literatura, história, ciência, arte, música, conhecimentos úteis, crónica mundana, etc., servidos por textos profusamente ilustrados com gravuras e fotografia, óptimo papel e impressão e um grafismo moderno. Por tudo isto, a empresa editora considerava a revista “o mais belo magazine português” que viria a contar entre os seus numerosos colaboradores com alguns dos mais conhecidos nomes da cultura do tempo: Rocha Peixoto, Carlos Malheiro Dias, Eugénio de Castro, Afonso Lopes Vieira, Silva Gaio, Júlio Dantas, Tinop, Ana de Castro Osório, Adolfo Coelho, Gonçalves Crespo, Bulhão Pato, Ramalho Ortigão, Aquilino, Wenceslau de Moraes, etc, não desdenhando abrir também as suas páginas aos novos valores da literatura (...).— em Os Serões das Senhoras. Um Suplemento de moda, bordados e saberes domésticos 1905-1908, por Maria José Moutinho Santos.

Serões das Senhoras, “(...) Tratava-se de publicações destinadas às mulheres das classes médias, fundamentalmente dedicadas à moda mas apresentando outras rubricas, tais como conselhos práticos de costura, decoração, saúde, higiene, beleza, educação, economia doméstica. Podiam também incluir uma crónica da vida mundana, um “correio das leitoras”, umas páginas de literatura e uma secção recreativa. A introdução, em muitos casos, de uma “folha de moldes” foi um contributo indiscutível para o sucesso. Os conteúdos reflectiam o ideal burguês de mulher – dona de casa, esposa e mãe -, e os conceitos de vida  familiar caros à burguesia. Circunscrita ao espaço do lar, era suposto que a mulher dedicasse o seu tempo e os seus esforços à educação dos filhos, aos cuidados com o marido, à orientação das criadas, à gestão do orçamento doméstico, tratando da casa com todo o desvelo, criando nela uma atmosfera de harmonia, bem-estar, segurança e conforto. Mas o seu papel não terminava aqui. A burguesia tinha feito da casa um espaço de sociabilidade, que era marcado naturalmente pelo estatuto social da família. “Receber” tornar-se-ia também uma função das esposas. Mas fora do recesso doméstico havia outras missões a cumprir: ir ao teatro, às recepções, aos bailes, às actividades do sport fazia parte do seu desempenho, da sua missão representativa. Para a ajudar nessas empresas ali estavam as revistas que se ocupavam de a guiar para as escolhas adequadas: da moda à etiqueta, da decoração às opções de vida. Neste domínio, iria ter um lugar privilegiado o “Consultório das leitoras”. Nele respondia-se a todo o tipo de questões práticas mas também, em muitos casos, a problemas sentimentais ou familiares. O diálogo que se estabelecia através das revistas, personalizando as dúvidas e os conselhos, iria assumir uma importância indiscutível suplantando em eficácia junto das leitoras os conteúdos dos manuais (de civilidade, de etiqueta e boas maneiras, de economia doméstica, etc) que se podiam encontrar à venda no mercado livreiro (...)” —  em Os Serões das Senhoras. Um Suplemento de moda, bordados e saberes domésticos 1905-1908, por Maria José Moutinho Santos.

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