PALAVRAS CÍNICAS

PALAVRAS CÍNICAS

13236-B


SAMPAIO (Albino Forjaz de).— PALAVRAS CÍNICAS. (9ª edição). Empreza Litteraria Fluminense. Lda.. Lisboa. (MCMXXI). 12,5x19 cm 143-I págs. B.

Livro de enorme sucesso, publicado pela primeira vez em 1905,  e que aqui se apresenta na sua 9ª edição, onde tenta subverter a moral vigente, criticando asperamente o clero, as crendices populares e a “esperteza saloia”, não deixou nenhum português indiferente.

Abel Botelho referiu-se nos seguintes termos a este famoso livro: "Agressivo e duro como um panfleto, pungente como uma elegia, o livro Palavras Cínicas tem uma fisionomia estranha. Parece a exsudação vingadora dum vélho coração, chagado de desenganos (...)”.

De referir que a obra, esteve proibida nas Bibliotecas Públicas:

“(...) Embora não haja notícia de que estivessem submetidas à sanha repressiva como sucedia com as livrarias ou as tipografias (onde por vezes eram feitas incursões intimidatórias e se apreendiam ou destruíam arbitrariamente muitos títulos que não chegaram a constar da referida lista)[1], como procediam as bibliotecas públicas ou antes, os seus responsáveis, perante estas ordens?

Normalmente cumpriam-nas religiosamente – não fosse o Diabo tecê-las – procurando impedir que os leitores tivessem acesso à leitura dos livros proibidos. Para tal eram utilizados diversos processos: ou não os catalogavam – e assim os livros, para o público, deixavam de existir; ou, se já estivessem catalogados, retirando as respectivas fichas do catálogo – outra forma de os liquidar; ou fazendo desaparecer os livros das estantes, escondendo-os, subtraindo-os à atenção de funcionários mais curiosos ou mais evoluídos.

O zelo, em Braga, chegou ao extremo de, na última gaveta dos ficheiros do Catálogo Geral da Biblioteca Pública, que apenas os funcionários podiam consultar, se encontrar um pequeno volume com o formato das fichas, intitulado “Index dos livros proibidos” que recolhia, além de todas as obras expressamente proibidas, os títulos de algumas outras como “A Velhice do Padre Eterno”, “O crime do Padre Amaro”, “Palavras cínicas”, de Forjaz de Sampaio, “Non sum dignus” de A. Figueiredo ou os romances de Alfredo Gallis, que só podiam ser consultados por leitores com sólida formação moral ou devidamente credenciados. Infelizmente, após o 25 de Abril, esse livrinho desapareceu misteriosamente (ou talvez não…) (...)”. — Retirado de A Censura nas Bibliotecas 

Com dedicatória do autor.