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NOÇÕES DE ORATÓRIA

16889-B1
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MAYA (Delfim Maria d’Oliveira).— NOÇÕES D’ORATORIA PARA USO DAS ESCOLAS. 2.ª edição melhorada. Porto. Typographia de Antonio José da Silva Teixeira. 1875. 13,5x20 cm. 100-IV págs. E.

“§. 1. Oratoria, como disciplina, é o mesmo que rhetorica no sentido da derivação etymologica d’esta palavra (do grego rheo; falo): designa a theoria da eloquencia exercitada no discurso oral; ou a exposição systematica das leis, meios e fins d’essa eloquencia.

§. 2. Eloquencia é o poder, natural ou cultivado, de vencer, por meio do discurso, qualquer resistencia do animo alheio; ou essa resistencia venha da intelligencia, do coração, do torpor e indifferença, ou de tudo isso juntamente. A sua perfeição está em elevar até ao bello litterario o verdadeiro e o bom, reunindo ao talento logico de convencer, o particularmente oratorio de mover persuadindo, e o poetico de deleitar. Assim a grammatica, a logica e a rhetorica tem de dar-se as mãos para aperfeiçoar o dom da eloquencia.

§. 3. Grande é pois a differença entre a rhetorica e a eloquencia: differença d’origem, natureza, objecto e fim. A eloquencia tem a sua origem nos dons naturaes do homem, que a rhetorica sómente dirige e aperfeiçoa: natural ou cultivada, é sempre um dom natural, cujo objecto é tudo, sobre que se póde discursar, e cujo fim é vencer qualquer resistencia do animo alheio. Differentemente a rhetorica tem sua origem no estudo dos modêlos e na observação e experiencia do discurso oral; é um corpo de doutrinas; tem estas por objecto; e por fim, dirigir e aperfeiçoar a aptidão natural para a eloquencia, ou pelo menos, formar o discernimento e bom gosto para apreciação das obras eloquentes, e dar preceitos uteis a todos, que pretendam fallar ou escrever sem graves defeitos.

§. 4. Assim a oratoria ou rhetorica, para ser util ao maior numero, não tem só d’expender a theoria da eloquencia no discurso oral; tem ainda de completar a grammatica, expondo as regras geraes da arte de fallar e escrever e as especiaes das composições em prosa. (...)” (Do primeiro capítulo: “Noções d’Oratoria”.)

Manual de Oratória segundo o programa oficial do 3.º ano do curso de Português, em 1875.

Acrescenta-se, como curiosidade que “(...) É ainda este bacharel em direito e professor do liceu do Porto, Delfim Mª d’Oliveira Maia que, no Prólogo do Manual de Estilo, (...) nos dá testemunho das alterações vividas, na sequência da reforma de 1972, na prática da disciplina. Segundo escreve, passou, pelo decreto de 23 de Setembro desse ano,  a ficar fundido o curso de português com o d’oratória, poética e literatura clássica (...)” — retirado O ensino do Português. Como tudo começou, de Luísa Carvalho.

Obra de raro aparecimento no mercado.

Encadernação da época com lombada em pele decorada a ouro, apresentando desgaste natural do tempo, mas ainda sólida. Assinatura apagada na folha de anterrosto e outra no topo do frontispício.