HISTÓRIA DE GIL BRAZ DE SANTILHANA

HISTÓRIA DE GIL BRAZ DE SANTILHANA

10330-B1
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LESAGE (Alain René).— HISTORIA DE GIL BRAZ DE SANTILHANA. Traduzida em Portuguez. Nova Edição. Lisboa: Anno M.DCCC.XXI - M.DCCC XXIV. Na Typ.  da Academia Real das Sciencias. 10x15,5 cm. 4 vols. E.

“Ao leitor: Antes de ouvires a Historia da minha vida, escuta, amigo Leitor, hum conto, que vem a proposito. Dois Estudantes hião juntos de Penafiel a Salamanca. Sentindo-se cançados, e sequiosos, parárão ao pé de huma fonte, que encontrárão no caminho, e em quanto descançavão, depois de terem bebido, virão por acaso junto de si huma pedra, á superficie da terra, algumas palavras já hum tanto gastas, pelo tempo, e pelos pés dos rebanhos, que hião beber á tal fonte. Lançárão agoa na pedra para a lavar, e lérão nella estas palavras em Castelhano: Aqui jaz encerrada a alma do Licenciado Pedro Garcia. O Estudante mais moço, que era de genio ardente, e estouvado, apenas acabou de ler a Inscripção, disse ás garagalhadas: Não ha cousa mais galante? Aqui jaz encerrada a alma...  Huma alma encerrada! Desejava saber quem foi o tôlo, que fez hum Epitafio tão ridiculo. Acabado de proferir isto, ergueo-se para continuar a jornada. O seu companheiro, que era mais avisado, disse comsigo: aqui ha mysterio; não passo adiante sem o amimar. Este pois deixou partir o outro, e entrou sem perda de tempo a cavar á roda da pedra com huma faca. Achou debaixo huma bolsa de coiro, que abrio, e onde deo com cem cruzados, e huma carta, na qual estavão escritas estas palavras em Latim: Sê meu herdeiro tu, que tiveste juizo para comprehender o sentido da Inscripção, e faze melhor uso que eu do meu dinheiro. O Estudante contentissimo deste achado, pôz a pedra como estava, e caminhou para Salamanca com a alma do Licenciado. Leitor, quem quer que fores, tu has de paracer-te com algum destes dois Estudantes. Se leres os meus successos sem tomares sentido nas instrucções Moraes, que contêm, não tirarás proveito desta Obra; mas se a leres com attenção, acharás nella, segundo o preceito de Horacio, o util misturado com o agradavel.”

Palau regista edições portuguesas de 1800 e 1821. O mesmo bibliógrafo apresenta uma vastíssima bibliografia desta obra em diversas línguas, cuja primeira edição, em língua francesa, data de 1715, sendo considerada a obra-prima do autor.

Em 1797, Manuel Maria Barbosa du Bocage fez a tradução desta obra para português.

Encadernações da época, com lombada e cantos em pele.