GRANDES ARMAZÉNS DA DESVENTURA (OS)

GRANDES ARMAZÉNS DA DESVENTURA (OS)

11273-L2
  • 35,00 €


BANDEIRA (António).— OS GRANDES ARMAZENS DA DESVENTURA. 1931. Imprensa Libânio da Silva. Lisboa. 12,5x19 cm. 274 págs. E.

“(...) Portugal tem incontetavelmente produsido desde há um século a esta parte um grande número de homens de valor. Todos êles, porém, quando falam, escrevem ou legislam, dão regularmente a impressão de que descobriram o Pais, e que tudo quanto antes dêles se dissera, escrevera ou legislara, fôra perfeitamente nulo e inexistente!... O Povo, paciente e afável, recebe sempre com bondade êsses amfiguris, literàriamente bem intencionados e destinados à sua ventura. Mas há nessa bondade aquela espécie de deferente desconfôrto com que se costuma ouvir uma anedota já conhecida, contada por alguém com quem se faz cerimónia ... De facto, todos os problemas nacionais têm vindo a pôr-se e a repôr-se com tão alcatrúsica regularidade, que, ao percorrer-se a já formidável ‘Coléção da Legislação Portuguesa’, tem-se a estranha sensação de visitar o dormitório de um Albergue de Crianças Abandonadas!... (...) Se este livro não servir para outra coisa, que ao menos aqueles que me lêrem possam fazer este raciocínio: quando a ralé dum Povo, a ralé condenada, penitenciaria, banida, espuria, farrapo dos farrapos a ralé das ralés, conserva ainda intactas no seu sêr as qualidades mais puras do Povo de que provém, — que virtudes não possuirá esse Povo, e de quanto respeito e interesse não será ele digno?! Se este pequeno trabalho conseguir convencer dessa verdade um só que seja daqueles que o vão lêr, julgar-me-ei compensado de o têr escrito.”

De raro aparecimento no mercado.

Encadernação com lombada e cantos em pele. Conserva as capas da brochura. Tintado à cabeça, permanecendo os restantes cortes por aparar. Valorizado com a dedicatória do autor.