EVIDÊNCIAS (AS)

EVIDÊNCIAS (AS)

19559-B1


SENA (Jorge de).— AS EVIDÊNCIAS. Poema em vinte e um sonetos. Centro Bibliográfico. Lisboa. 1955. 13,5x19 cm. 44-II págs. B.

“(...) Estes vinte e um sonetos não são uma colectânea de sonetos. Atrás lhes chamei ciclo; e poderia e deveria chamar-lhes poema, como aliás acabei por fazer (...)”.

Primeira edição deste livro que foi proibido pela P.I.D.E. por ser “subversivo e pornográfico”, e libertado um mês depois, como o próprio autor refere: “(…) Nos princípios de 1954, entre Fevereiro e Abril, escrevi os 21 sonetos de As Evidências, sequência que não queria publicar como parte de um livro de poemas, aonde ficasse submersa, mas para a qual não encontrava editor. Foi quando, nesse ano, me foi oferecida, se não estou em erro, paralelamente por Armindo Rodrigues e por João José Cachofel, a possibilidade de uma edição daqueles sonetos na série Cancioneiro Geral do Centro Bibliográfico. O livrinho ficou impresso nos primeiros dias de Janeiro de 1955, foi logo apreendido pela PIDE que assaltou então o dito Centro, e só pôde ser distribuído um mês depois de repetidas visitas à Censura, para onde se entrava por uma portinha da Calçada da Glória, embora os censores estivessem realmente instalados no Palácio Foz ocupado pelo SNP ou SNI, ou lá como se chamava na altura. O livro era, além de subversivo, pornográfico, segundo me repetia sistematicamente, com um sorriso ameno e algum sarcasmo nos olhos pontilhados de ramela branca, por trás de uns óculos de aro finamente metálico, suponho que o subdirector que era um major ou tenente-coronel. Eu contestava que o livro, ora essa, não era nem uma coisa nem outra, e ele, dando-me palmadinhas no joelho mais próximo, dizia: - Ora, ora … nós sabemos -. Ao fim de um mês destas periódicas sessões, o livro foi libertado, e para dizer a pura verdade evidente, era realmente subversivo e, se não propriamente pornográfico, sem dúvida que respeitavelmente obsceno. (…)” — Prefácio da 2ª edição da obra Poesia I.

Inserido na colecção Cancioneiro Geral.