MUNDO LITERÁRIO

18111-LL-008
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MUNDO LITERÁRIO. Semanário de Crítica e Informação Literária, Científica e Artística. (Director: Jaime Cortesão Casimiro. Editor: Luís de Sousa Rebelo. Corpo Directivo: Adolfo Casais Monteiro, Emil Andresen e Jaime Cortesão Casimiro). Lisboa. 1946-1947. Nº 1 a 51). 20x28,5 cm. B em estojo.

“Propomo-nos uma difícil empresa: ser, entre a arte, a ciência e a literatura de um lado, e do outro o público, o terreno comum em que aquelas não se vejam apoucadas, e este não sinta o mal estar de quem só ouve falar à sua volta uma língua estranha. A língua é a mesma  e é importante saber-se que os problemas de quem escreve são os mesmos que os do leitor. É um facto haver entre hoje entre nós um divórcio enorme do público com as mais nobres actividades do espírito. Mas temos como certo que ele é perfeitamente capaz de reagir favoravelmente, quando se procure considerá-lo um ser dotado de razão, curioso dos problemas, de espírito pronto a alargar os seus horizontes — e no qual interessará evidentemente saber que os chamados ‘problemas do espírito’ são mais alguma coisa do que parecem supor os habituais fornecedores das suas leituras (...)” — retirado do Editorial.

“(...) Jaime Cortesão Casimiro, seu director, evoca esta publicação do seguinte modo: ‘(...) A escolha dos colaboradores norteava-se por um critério obviamente não declarado, mas que não era difícil de inferir: o de não apoiarem ou colaborarem com o Estado Novo, tendo a maioria deles subscrito as famigeradas listas do MUD contra o Governo. Não faltaram problemas com a censura, que me cabia contactar nessas situações e, para evitar uma primeira suspensão, fomos forçados por ela a ‘Declaração’ publicada no nº6. (...) A colaboração era remunerada e, em Maio de 1947, as dificuldades financeiras e dívidas acumuladas impuseram a suspensão, que anunciámos no nº52, de 3  de Maio de 1947. Consegui, ao final de um ano, o apoio da Editorial Cosmos, gerida por Manuel Rodrigues, após o contacto com o Prof. Bento de Jesus Caraça, e o nº 53 surgiu em Maio de 1948, no qual se assinalava que Casais Monteiro abandonara o Corpo Directivo, continuando a dar-nos colaboração. Foi o pretexto para a Censura decidir acabar com o semanário (...)” — retirado de Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do século XX, de Daniel Pires.

Publicação de apreciável importância no panorama da moderna literatura portuguesa, colaborada por Casais Monteiro, Gaspar Simões, Jorge de Sena, António Pedro, Drummond de Andrade, Joel Serrão, José Blanc de Portugal, Álvaro Salema, Ramos de Almeida, Luiz Francisco Rebello, Manuela Porto,  António Ramos de Almeida, Mário Sacramento, Joel Serrão, entre muitos outros.

Ao lote faltam os dois últimos números (nº52 e nº53), pelo que a colecção se encontra incompleta.

Números em brochura, preservados em sólido estojo In-Libris Officina inteira de macia pele de rena, decorado a laser na pasta da frente e lombada.