Conjunto de azulejos retirados do antigo Laboratório Médico do Prof. Alberto de Aguiar



Conjunto de azulejos retirados do antigo Laboratório Médico do Prof. Alberto de Aguiar que interliga ciência e arte.

 



Em resultado das obras de ampliação e da alterações dos espaços, foram sendo retirados alguns frisos, que apresentam falhas (Friso dos Cientistas, Friso dos Animais e um painel).

O laboratório esteve activo até 2009. Em 2014 foram retirados todos os azulejos que permaneciam (Friso de Homenagem à Faculdade de Medicina do Porto, friso de medalhões e painéis).



A autoria do desenho e pintura dos azulejos é do mestre pintor Pedro de Figueiredo (Tondela, 1880–Porto, 1972), que cursou a Academia Portuense de Belas-Artes e, em Paris, Académie de la Grande Chaumière. Contudo, a influência mais significativa na sua formação foi a de Jorge Colaço, um dos maiores mestres da azulejaria portuguesa. Foi professor na Escola Faria Guimarães — a actual Escola de Soares dos Reis. Da sua vasta obra destacam-se os painéis decorativos do átrio da Câmara Municipal de Tondela e estes painéis do Laboratório Médico (o desenho dos frisos dos cientistas e do friso dos aparelhos é do Prof. de desenho artístico Van Kriek), produzidos na extinta Fábrica das Devesas (20 x 20 cm).


Neste vasto conjunto pretende-se homenagear figuras incontornáveis da história universal da medicina, química, etc. e mestres das escolas de medicina e farmácia do Porto (1886-1919).


À sua inegável importância artística, passado mais de um século sobre a sua execução, junta-se a relevância para a história da ciência em Portugal.



— Painéis (1,94 x 1,55 m)
Dois grandes painéis representam Lavoisier (1743–1794) e Pasteur (1822–1895) nos seus laboratórios. Lavoisier realiza a sua famosa experiência sobre a composição do ar, enquanto Pasteur é representado enquanto trabalha na sua vacina antirrábica.


— 16 medalhões (1,00 x 0,60 m)
Retratam diversos cientistas portugueses e estrangeiros: Ferreira Lapa (1823–1892), que deixou vasta obra nos domínios da veterinária e agronomia, Vicente Lourenço (1826–1893), que se notabilizou na química, Câmara Pestana (1863–1899), pioneiro nos estudos bacteriológicos em Portugal, e Ferreira da Silva (1853–1923), um dos maiores químicos portugueses de sempre; os estrangeiros incluem os químicos H. Davy (1778–1829), M. Faraday (1791–1867), J. Liebig (1803–1873), Victor Meyer (1848–1897), Medelejew (1834–1907), M. Berthelot (1827–1907) e E. Fischer (1852–1919), o zoólogo Schaudinn (1871–1906), o patologista R. Virchow (1821–1902), o fisiologista Claude Bernard (1813–1878), o patologista e bacteriologista R. Koch (1843–1910), o bacteriologista e higienista Wassermann (1866–1925), o médico e histologista Ramón y Cajal (1852–1934) e o bioquímico Ludwig Kossel (1853–1910).



— Um vasto friso (“Homenagem à Faculdade de Medicina do Porto”) em seis segmentos (3,20 x 0,80 m; 1,50 x 0,80 m; 3,20 x 0,90 m; 4,60 x 0,90 m; 2,20 x 0,90 m; 0,60 x 0,80 m)
Nas palavras do do Prof. A. Aguiar, é uma “homenagem aos meus mestres e colegas da Faculdade de Medicina do Porto, no período de 1886-1919”. Trata-se um vasto friso composto por seis segmentos ornamentados com símbolos médicos em que se destaca a serpente envolvida na folhagem da árvore da vida, envolvendo trinta e nove retratos de professores, grandes mestres do ensino e da prática clínica, ligados à Faculdade de Medicina dom Porto, mais uma vez da autoria de Pedro Figueiredo (v. livro “O Laboratório Médico...”, cap. de homenagem à Faculdade de Medicina do Porto, pp. 57-79).

— Painéis
Um painel alusivo ao Ouroboros, antigo símbolo alquimista (0,80 x 0,70 cm)
Dois painéis decorativos triangulares, com símbolos médicos e químicos (apresentando algumas falhas) (2,00 x 1,40 m).

— Friso dos Cientistas

Com vários metros de comprimento e 60 cm de altura, é uma peça contínua que refere nomes e datas de nascimento e falecimento de 28 cientistas que se distinguiram na alquimia, química, etc. Enconta-se ornamentada com desenhos de vasos de farmácia e plantas (desenhos de Van Kriek) (tem falhas). Os nomeados, por ordem cronológica, representam os maiores expoentes da química, física, biologia, botânica e medicina desde a Antiguidade Clássica até aos primeiros anos do século XX. Uma fita elegantemente desenrolada e adornada com algas estabelece a ligação pictórica do conjunto. Entre os motivos decorativos contam-se ainda diversos cadinhos e vasos de destilação. São, então, as personalidades referidas, Zózimo de Panópolis e Sinésio de Cirene (séc. III), Alberto Magno (séc. XII), Paracelso (séc. XVI), van Helmont (1580–1644), Boerhaave (1668–1738), Lavoisier (1743–1794), Priestley (1733–1804), Davy (1778–1829), Dulong (1785–1838), Dalton (1766–1844), Berzelius (1779–1848), Gay-Lussac (1778–1850), Gerhardt (1816–1856), Faraday (1791–1867), Graham (provavelmente Thomas Graham, 1805–1869), Liebig (1803–1873), Deville (1818–1881), Wöhler (1800–1882), Dumas (1800–1884), Wurtz (1817–1884), Kekulé (1829–1896), Nobel (1833–1896), Meyer (1848–1897), Berthelot (1827–1907), Mendelejew (1834–1907), Moissan (1852–1907), Becquerel (1852–1908) e van’t Hoff (1852–1911).


— Friso dos Aparelhos
Com 20 cm de altura e repetindo o desenho a cada três azulejos, representa diversos equipamentos de laboratório (cerca de oito conjuntos) (desenho de Van Kriek).

— Friso dos Animais
Eram muito diversos os animais-cobaias que o Laboratório Médico utilizava, contando-se entre eles rãs, ratos, coelhos, cães e macacos. Todos eles foram homenageados no friso decorativo daquela que era a sala de inoculações (tem algumas falhas) (desenho e pintura de Pedro Figueiredo).



Para a redacção deste texto foi preciosa a consulta do artigo “Química em Azulejaria: Alberto de Aguiar e o Laboratório Medico”, da autoria de Raquel Gonçalves-Maia e publicado na Revista Virtual de Química (n.º 6, vol. 7, de Outubro 2015).