QUESTÃO DO ZAIRE (A)

QUESTÃO DO ZAIRE (A)

11747-B1
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CORDEIRO (Luciano).— A QUESTÃO DO ZAIRE. Discursos Proferidos na Camara dos Senhores Deputados. Sessões de 11, 15 e 16 de Junho de 1885. Pelo Deputado... Lisboa Imprensa Nacional. 1885.

De raro aparecimento no mercado estes discursos de Luciano Cordeiro que abordam a temática do famoso Mapa cor-de-rosa, e das negociações com a Inglaterra que viriam a desembocar no Ultimatum inglês em 1890.

“(...) Era o mesmo Visconde de Sá quem, em 5 de janeiro de 1869, proponha a mesma idéa ao governo inglez, dizendo-lhe: ‘O governo de Sua Magestade desejaria ver terminadas estas questões (Zaire-Lourenço Marques) e muito estimaria que o governo de Sua Magestade Brittannica fosse da mesma opinião julgando que se poderia chegar a um resultado satisfactorio se se fizessem concessões mutuas.’ E ainda, um mez depois, em 3 de fevereiro: ‘Rogo, pois, a v. ex.ª se sirva chamara sobre este assumpto a attenção do governo de Sua Magestade Britannica, podendo v. ex.ª assegurar-lhe que o governo de Sua Magestade está disposto a tratar as estas questões , de maneira tal que por concessões mutuas se possa obter um resultado que seja vantajoso tanto para Portugal, como para a Gran-Bretanha... O mesmo governo muito confia que esta proposta seja acceita pelo governo britannico, sendo n’este caso guiado pelo mesmo espirito de conciliação que o dirigiu, quando concordou que se recorresse a uma arbitragem na questão do Bolama... Seria talvez arriscado ver n’esta frase a idéa do processo arbitral para a questão do Zaire, e a prova está nisto: quando em 1871 o governo inglez, referindo-se exactamente, — e habilmente tambem,— a estas suggestões de 1869, se declarava disposto a submetter a uma arbitragem a questão de Lourenço Marques, não se lhe observou que essas mesmas suggestões se referiam tambem á questão do Zaire (...) Nunca a idéa de submetterá arbitragem a questão do Zaire, se formulou e propoz, e bastam uns leves rudimentos da doutrina e da historia do direito internacional para que se comprehenda facilmente quanto similhante suggestão seria deslocada (...)”

Finaliza o seu ultimo discurso, desta forma: “(...) O que vamos fazer? Acabo como comecei. Ou vamos continuar a honrar a tradição e o nome d’este honrado povo que fez mais do que simples colonias, valorosos imperios, depois de ter aberto metade do mundo ao esforço e á civilisação da outra metade (Apoiados.) ou vamos offerecer á historia a exautoração ignominosa do nosso patrimonio ultramarino e do nosso nome e da nossa honra de portuguezes. Como se diz no Rei Seleuco, eu peço sómente que 'não me tomem isto por palavras, que palavras e plumas o vento as leva’. Disse. Vozes: — Muito bem, muito bem. (O orador foi comprimentado por muitos srs. deputados de ambos os lados da camara e pelos dignos pares do reino que assistiram á sessão).