Vinho do Porto (O) — Camilo
20241-L26CASTELO BRANCO (Camilo).— O VINHO DO PORTO. Processo de uma bestialidade ingleza. Exposição a Thomaz Ribeiro por... Porto - Livraria Civilização de Eduardo da Costa Santos — Editor. 1884. 14,5x21,5 cm. 88 págs. E.
“Ha trinta e cinco annos que umbretão anonymo lavrou na Westminster Review a condemnação do vinho do Porto como deleterio e empeçonhado por acetato de chumbo e outros toxicos anglicidas. O homem, pelas rábidas violencias de estylo, parece ter redigido a calumnia depois de jantar, n’uma exaltação capitosa do tanino do alvarilhão que elle confundiu com as afflicções dos venenos metallicos. Relembra lamentosamente, com a lagrima das bebedeiras ternas, o seculo dezoito, em que o genuino licor do Porto era um repuxo de vida que irrigára a preciosa existencia de grandes personagens da Gran-Bretanha (...)”— retirado da primeira página do texto.
Texto de alguma animosidade para com os ingleses como se prova no excerto: “(...) N’este pedaço de litteratura da decadencia, ou decahida de todo, observe a critica escorreita que ha dois projectos: um é patente, o outro é clandestino. O primeiro é — arrazar Inglaterra; e, com effeito, arraza-se. O projecto clandestino, tortuoso da lettra redonda, typo-Elzevir, o que o mercieiro alcança com o correcto syllogismo dos azeites e dos farinaceos. (...)”. O visado, em particular é o Barão James Forrester: “(...) tão respeitador dos vinhos portuguezes como da nossa orthographia, tinha escrito ‘Jeropiga’ com J. (...) A honra e a limpeza de Portugal seriam desaffrontadas, se, Forrester, Whittaker e os seus traductores ignaros procurassem Geropiga, com G, no Constancio ou no Moraes. (...). — retirado da página 85
Primeira edição, de cuidada execução gráfica.
A encadernação, com cantos e lombada em pele decorada a ouro, preserva as capas da brochura original.
Bem conservado.