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PINTO RENASCIDO EMPENADO E DESEMPENADO

10663-L1

PINTO BRANDAM (Thomaz).— PINTO // RENASCIDO, // EMPENNADO, E DESEMPENNADO: // PRIMEIRO VOO, // Dirigido ao Excellentissimo Senhor // DOM LUIZ JOZE // LEONARDO DE CASTRO // NORONHA ATAIDE E SOUSA, // Undecimo Conde de Monsanto, // COMPOSTO POR // THOMAZ PINTO BRANDAM// Lisboa Occidental // Na Officina da Musica // M.DCC.XXXII. 14,5x20 cm. 568 págs. E.

“Meu Leytor, eu bem quizera darte hum epitheto novo; porèm sempre ha de ser pio, que este em h~u Pinto he muy proprio. Meu Pio considero, e teu Pinto me supponho; falta só para meu canto, conhecer eu o teu folgo. Supponhamos que es benigno, magnanimo, generozo, e disdreto, que he o que basta: isto supposto,  Se em meus equivocos vires algum sentido ciioso, modestamente por elle deixa escorregar os olhos. No que da arte tropeçares, apega-te ao meu jocozo; e nã te detenhas muito no que vay a dizer pouco. Alguma palavra immunda naõ te meta muito nojo; que a Musa he carne de vaca; leve hum bocado de porco (...)”.

Tomás Pinto Brandão, teve ao que se sabe uma vida conturbada: Condenado ao degredo em Angola, pela sua irreverência em matéria de religião, vários processos que lhe valeram algumas condenações a prisão, etc., viajou muito, sobretudo pelo Brasil e por África. Escreveu várias obras, satíricas e burlescas das que se destacam: Vida e Morte de Tomás Pinto Brandão, Escrita por Ele Mesmo Semivivo, e esta que se apresenta, Pinto Renascido Empenado e Desempenado. Esta, é constituída por diversos sonetos, oitavas, romances, décimas e silvas (sylvas). Nela se inclui o romance em verso sobre D. Quixote, e alusão à Passarola de Bartolomeu de Gusmão, — de quem era, aliás, um acérrimo crítico — alcunha que terá sido Pinto Brandão a atribuir ao projecto fantasioso de um navio voador.

“(...) Todo o Povo está pasmado, e muitos. que não são Povo, de ver este invento novo, do Norte agora chegado; um hum baixel carregado anda, e corre toda a Europa, que tudo em hum casco topa de couro cozido, ou cru, chum odre, em que assenta o cu, por andar com vento em popa. Quando eu vi a tal barquinha, navegante corriola, me lembrou a Passarola de quem Deos tem, que naõ tinha; (...)”.

Refira-se ainda, que na sua obra existem igualmente trabalhos de crónica, como por exemplo: Prática de Três Cabeças em Três Discursos, Descrição da Ponte de Belém, Descrição de Mafra e Função Real na Sagração do Convento de Mafra, etc,.

Primeira edição de muito raro aparecimento no mercado.

Encadernação com lombada em pele. Duas assinaturas de posse, antigas, no frontispício. Dedicatória de oferecimento a Armando Cortesão.

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