GATOS (OS)

10709-L2
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ALMEIDA (Fialho de).— OS GATOS. Publicação mensal d'inquérito á vida portugueza. Nova edição Revista. prefaciada e anotada pelo Doutor Álvaro J. da Costa Pimpão. Livraria Clássica Editora de A. M. Teixeira & Cª (Filhos). Lisboa. 1945-1951. 5 vols. 12x18,5 cm. E.

Publicação de crónicas mensais (depois semanais) da vida portuguesa, mordaz e combativa, hoje da maior importância para o conhecimento da história e costumes do final do século XIX.

Abre da seguinte forma:

“Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e fêz o crítico à semelhança do gato. Ao crítico deu êle, como ao gato, a graça ondulosa e o assôpro, o rorom e a garra, a língua espinhosa e a câlinerie. Fê-lo nervoso e ágil, reflectido e preguiçoso; artista até ao requinte, sarcasta até à tortura, e para os amigos bom rapaz, desconfiado para os indiferentes, e terrível com agressores e adversários. — Um pouco lambareiro talvez perante as belas coisas, e um quási nada céptico perante as coisas consagradas; achando a quási todos os deuses pés de barro, ventre de jibóia a quási todos os homens, e a quási todos os tribunais, portas travessas.— Amigo de fazer jongleries com a primeira bola de papel que alguém lhe atire, ou seja um poema, ou seja um tratado, ou seja um código.— Paciente aguardar, manso e apagado, com um ar de mistério, horas e horas, a sortida dum rato pelos interstícios dum tapume, e pelando-se, uma vez caçada a prêsa, por fazer da agonia dela, uma distracção; ora enrolando-a como um cigarro, entre as patinhas de veludo; ora fingindo que lhe concede a liberdade, e atirando-a ao ar, recebendo-a entre os dentes, roçando-se por ela e moendo-a, té a deixar num picado ou num frangalho. Desde que o nosso tempo englobou os homens em três categorias de brutos, o burro, o cão e o — isto é, o animal de trabalho,  o animal de ataque, e o animal de humor e fantasia — porque não escolheremos nós o travesti do último? é o que se quadra mais ao nosso tipo, e aquêle que melhor nos livrará da escravidão do asno e das dentadas famintas do cachorro. Razão por que nos acharás aqui, leitor, miando pouco, arranhando sempre, e não temendo nunca”.

Nas palavras do Dr. Álvaro Pimpão:

Os Gatos renovam, com diferente critério de julgamento, e sob nova forma literária, o processo crítico instaurado à vida do País pelas Farpas. Nascidos do acaso dos eventos e dos episódios, em vão se procurará nestes comentários outra unidade que não seja a do modo invariàvelmente pessimista por que são considerados os homens e as acções. Um dos aspectos mais importantes do antagonismo que se alastra pelos 57 folhetos dOs Gatos é a oposição política, posta em evidência pelos acontecimentos que se seguiram ao ultimatum. É deste aspecto que nos ocuparemos agora, procurando marcar a posição de Fialho no conflito anglo-luso, e determinar as raízes do seu jacobinismo, de efémera duração (...)”.

Falta o sexto volume. Encadernações em inteira de carneira. Preservam as capas das brochuras. Todos os exemplares possuem carimbo a óleo e assinatura de posse no frontispício.